Dancing on the corpses ashes

Uma vez eu conversei com um amigo, infelizmente por serviço de mensagem instantânea, sobre as chances que já tive de ser um jovem famoso ou um homem de futuro promissor. Sabe o sonho do "dinheiro fácil”? Ou até mesmo de fazer algo que todos sonham em fazer e se tornar uma celebridade, fazer pouca coisa e ser rico. Só teria que aturar a falta de privacidade, xingamentos, pressão por grandes produções e etc. Ele acabou me dizendo que já havia pensado nisso e eu percebi que não sou o único a estar pensando no passado o tempo todo, ou até mesmo buscando um futuro desesperadamente.

Não sei se é o caso dele, eu deduzi e assumo isso. Esses parágrafos são praticamente desnecessários se eu for começar a contar as várias coisas que me passaram pela mente.   Hoje eu comecei a pensar qual o valor da vida pra muitos dos que estão hoje curtindo tudo o que tem direito e não se preocupam com as consequências de certos caminhos que tomamos.

Qual o valor tem a vida? Qual o seu significado? E o que ela representaria se fosse algo comparado a um elemento ou fenômeno da natureza?

Pra maioria dessas respostas eu poderia dizer um ridículo “não sei” ou dar respostas levianas, usar frases de impacto ou algumas daquelas frases de enciclopédia que vendiam na porta lá de casa no final da década de 80. Mas se eu comparar a vida a algum fenômeno seria a uma brisa, um sopro, aquele vento que passa só uma vez e nunca sabemos pra onde vai. As vezes ando na rua e quando sinto que vem uma brisa refrescante (e vejo que não tem alguém por perto) eu fecho os olhos e abro os braços esperando que ela sopre em meu rosto, em meu corpo e me faça lembrar de muita coisa boa em tão poucos segundos. Lembro-me de um bom beijo, de uma ducha de água gelada, de um abraço, de algum lugar onde quero descansar, de algumas pessoas,  de quando eu conseguia correr e comemorar um gol de zagueiro pegando a bola de primeira com uma pancada forte que matou o goleiro e... Entenderam não é? Vocês não tem ideia de como é difícil um zagueiro fazer um belo gol como eu fazia. Essa perna direita era uma arma!
Mas enfim, o vento sopra onde quer e ninguém pode domar ou saber por onde andou e aonde vai. A vida nos proporciona várias dessas chances e as vezes por falta de sabedoria não sabemos aproveitar e aquilo passa rápido por nós, como um sopro. Algumas horas eu digo que se arrependimento desse dinheiro eu já estaria rico. Ja deixei pra tras cada chance... E as meninas que deixei de pegar na adolescência? Meu Deus! Acho que tambem por isso eu sou do jeito que sou. Pra quem não entendeu, vai ficar na curiosidade.

Eu hoje poderia estar bem de vida, poderia ter sido muitas coisas. Sou um jovem talentoso, mas a falta de amor próprio com o corpo e a preguiça de estudar não me deixam ser mais do que sou hoje. Sempre acho que não sou merecedor de algumas dádivas, se não fosse a minha amiga da faculdade, a Alice, eu hoje estaria perdido "a lot"! Ia me arrepender profundamente de não viver um dos melhores momentos da minha vida com uma pessoa incrível.
Assim como as chances que tive e perdi, minhas amizades são muitas vezes passageiras e não tenho como pegar pelo rabo pra trazer de volta. Existem algumas pessoas que eu gostaria de voltar a ter contato. Nem sei se umas estão vivas e outras foram trágicas (obrigado, Sr. Omar).

Quando Deus criou o homem, segundo os cristãos, Ele soprou e o homem teve vida. O barro se torna livre-arbítrio. Assim também é o fim da vida, voltamos a fazer parte da terra e alguns se tornam cinzas.
A vida passa a ter muito valor pra alguns que notam a sua preciosidade, não quero questionar o valor da sua vida ou o que você tem feito com ela, a vida é sua e ninguém melhor que seu juízo (ou a falta dele) pode avaliar isso. Mas existem aqueles que se dão mal por algum percurso, uma curva errada... Estes começam a pensar o porquê daquilo acontecer e alguns se arrependem por não tomar outro caminho quando pode. Nem todos os prazeres do mundo são bem vindos para preencher uma dor. E como um vento ou um leve sopro a vida se esvai, o dom se perde, aquela brisa tão gostosa foge por entre os dedos e tentamos agarrar um fio de seu encanto como um ato de desespero.

Falta marcada, segue o jogo!


Comentários

  1. Caramba! Li o texto ouvindo "Somewhere Over The Rainbow" e viajei. Lembrei de coisas que ficaram para trás enquanto eu focava unicamente no final de um arco-íris que nunca viria... Hoje ando com mais calma por esse arco-íris, percebo suas cores e, quando dá, ainda tento mostrá-las à outras pessoas. Esqueçam o pote de ouro, "viajem" na estrada!

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