No vácuo!


J.P. é de Santo Amaro, terra de meu pai.
É blogueiro do Na Meiuca, um dos caras mais racionais que ja vi sobre vários assuntos. Afinal, ele é Bahia!
Deveria ter uma coluna em algum jornal desses, tipo o da Metrópole.

http://nameiuca.blogspot.com/

Você acorda com dificuldade para respirar, corpo cansado e tem febre, o máximo que consegue é sentar na cama. Liga a Tv e descobre que a atmosfera sofreu uma brutal modificação, é daí que vem o desconforto. O problema é que esta alteração não é passageira, ela chegou para ficar e não se discute outra coisa além de alternativas para viver neste nova condição. Os mais pessimistas falam até em seleção natural. O som de "I don't want to miss a thing" dá um contorno ainda mais dramático à história.

A intenção deste texto não é tratar sobre elementos químicos e doenças. O Armagedon digno de uma "Sessão da tarde" é apenas um convite para que você se coloque no lugar da personagem e viva um pouco do que é perder a referência, não ter um "Norte".

Só depois fui perceber que o 1º parágrafo é desnecessário. Cada um de nós sente esse vazio diariamente, não precisa recorrer a nenhum roteiro ficcional. Homens e mulheres sofrem por causa da existência de um vácuo que influencia em todos os aspectos da caminhada.

Falta um padrão definido (ou pelo menos um número reduzido de padrões) que tenha eficácia universal, aquele artifício 100% eficaz das questões matemáticas. Um vácuo caracterizado pelas múltiplas possibilidades. É evidente que este "novo" momento não foi configurado numa madrugada, é construção histórica sutil: faz pouco barulho e deixa quase nenhum entulho na porta.

Quando a pauta da conversa são as relações com finalidade copulatória o debate fica naturalmente mais quente. Começa um chumbo trocado de acusações e parece que somos ilhas de virtude cercadas de mediocridade por todos os lados, o que é uma bobagem. Basta um pouco de atenção e dá para formar um arquipélago.

O rosário de reclamações feminino tem uma lista bem definida. Falta atitude, pegada, sentimento, saber chegar, sensibilidade e todos os demais adjetivos que ela puder falar. No final do discurso vem a clássica afirmação: os homens não são mais como antigamente.

Tanta coisa mudou... inclusive a externalização e o nível de exigência no desenrolar da relação. Orgasmos são negados desde tempos imemoriais, a diferença é que a mulher privada dele mostra sua insatisfação de diversas formas. Não acalma seu desejo apenas gastando energia com bordados e cuidando da cria.

A aceitação da traição masculina não é mais a mesma. Uma união infeliz deixou de ser motivo para histórias paralelas, essa é uma das razões para o substancial aumento das separações. Não deu certo?! Tchau. Isso não é sinônimo de vergonha, fracasso.

A ampla possibilidade de escolha e de oferta nos deixa um tanto quanto perdidos e como ainda vivemos o vácuo trazido pelas modificações é natural ficar desorientado. A abundância de perfis diferentes torna a busca mais difícil, não dá para encontrar um moço ou uma moça que preencha integralmente nosso vasto questionário em cada aniversário, bar, turma da faculdade ou festa de camisa. A "fauna" tá mais diversificada e cada um pode ser o que quiser, a exigência de atender determinados padrões não sufoca tanto quanto no passado. Só vai dar um pouco mais de trabalho acontecer o encontro.

E, bote fé, acontece. Até eu achei e fui achado.


Comentários

  1. De fato, como disse o Junio, são ótimos textos e mesmo abordando o mesmo tema são diferentes entre si.

    Gosto das duas análises. A abordagem sócio-cultural é muito importante e verdadeira e a outra mais "prática" também é muito direta e elucidativa. Ambas permitem uma visão bastante ampla sobre o tema.

    Na verdade, acho que o texto da Isadora encaixa muito bem nessas diversidades que o J.P nos traz. Não devemos esquecer que tanto o perfil do homem quanto o da mulher descritos por Isa são ilustrativos e representam apenas uma das inúmeras possibilidades de identidade na sociedade atual. Qualquer generalização pode ser enganosa.

    Acredito que a posição que a mulher vem ocupando na sociedade causa uma certa desconfiança nos homens, pois, já que é impossível generalizar, como saber quem são as mais "caretinhas" e as mais "descoladas"? Não acho que é tão fácil descobrir pelas atitudes extra-cama. E a dedução ou comportamento igual perante todas pode causar ainda mais dificuldades no desenvolvimento da paquera (não achei uma palavra mais moderninha).

    Nesse jogo de sedução vejo as mulheres com certa vantagem, afinal, a posição do homem não mudou tanto. Embora identidades diversas sejam mais frequentes, a postura do homem ainda é mais homogênea.

    Sei que acabei de usar a palavra jogo, mas, na verdade, não gosto muito de reduzir as relações a isso. Tenho notado uma certa tendência em levar as coisas por esse lado, onde é necessário provar que se tem atitude, que se entende tudo sobre o assunto, que se é um expert em sedução, sexo e relacionamentos... Novamente evito cair em generalizações, mas, talvez, adotar esse posicionamento seja a negação de uma certa insegurança e necessidade de provar algo que é dúvida em si mesmo.

    As relações são sempre diferentes, cada ser humano é diferente. Inventar regras de sedução ou de comportamento implica no empobrecimento e vulgarização dessas relações. Acho muito justo e saudável que existam gostos diferentes, vontades diferentes... Assim como disse o J.P; "A 'fauna' tá mais diversificada e cada um pode ser o que quiser (...) Só vai dar um pouco mais de trabalho acontecer o encontro".

    Enfim, acho uma bobagem acreditar que somos mais livres para ser o que somos se ainda estamos presos nesses papéis e padrões que revistinhas de fofoca ou programinhas de tevê nos impõem. Ninguém precisa ser "fodão" ou "fodona", ninguém precisa ser "conservador", ninguém precisa ser virgem até o casamento e ninguém precisa fingir todas essas coisas. Sexo é vida, é saúde, vamos fazê-lo como gostamos! Vamos melhorar nossa comunicação com os parceiros, vamos fingir menos, falemos mais sobre os nossos desejos e vontades... Adivinhação era moda na Idade Média e, mesmo assim, a única garantia era a fogueira! =P

    Parabéns ao Junio pela proposta e aos blogueiros que deram conta do recado, se é que vocês me entendem... ; )

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  2. Acontece muito hoje em dia...

    Não dá pra ser perfeito e elas exigem perfeição mas não cumprem o que dizem, muitas delas que tentam ser perfeitas se perdem em meios a reclamações, lamuriações e coisas que não vale a pena...

    O mal do século sempre foi e sempre será a solidão, estaremos sós mesmo estando com as melhores companias isso porque não entendemos que nós em nós mesmos nos bastamos!

    Só se completa com a presença do outro quando se sente completo, tanto de um jeito amoroso, quando de um jeito psicologico. A autoconfiança e autoestima ainda é a chave para o crescimento mutuo, traz com ela a cumplicidade e o respeito!

    O ser humano é mutavel o tempo todo, basta querer!

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  3. Gatinhos,

    Como foi dito, sexo é saúde. A racionalização feita por alguns em cima do tema já indica a distorção completa do ato. Pode até ser coincidência, mas apenas homens comentando aqui e todos levando a discussão para um lado extremamente reflexivo. É sexo, meu bem, amor, pele, feromônio, carinho, não há muito para se pensar. É preciso sentir! Não há mal do século, tirania, troca de papéis, não precisa pensar nisso! E não pense você que achamos que "poxa, os homens não são como antigamente". Não, não são, graças a DEUS! Ou estaríamos presas na obrigação de fingir orgasmos até hoje pelo duro destino de nos vermos com alguém que não queríamos, como mandava a velha lei do casamento antigamente. Vocês homens não devem ser como antigamente! O que tá rolando, ao que me parece, é que as mulheres sacaram isso muito antes! Não somos mais como antigamente. E não adianta dizer que não, isso assusta. Agora, claro, surgirão mulheres pacientes para entender isso, ir com calma e regularizar a situação, deixar o cara a vontade. Como surgirão mulheres que, em uma tentativa pífia de se reafirmar enquanto não-sei-o-quê, tentaram intimidar mesmo, colocando para correr homens super interessantes não por acharem elas experientes demais, mas por essas mulheres beirarem a aberração! Existe uma hierarquia de poder de gênero que eu acho massa e que não deve ser perdida. O homem deve continuar, NA MINHA OPINIÃO, o grande macho alfa do ato e a mulher, na fantasia mais gostosa, a bonitinha frágil do fetiche. Isso pode diversificar? ÓBVIO. Mas no fim, é a versão que agrada a grande maioria. O que mudou é que, mesmo atuando na mesma trama, o subjetivo é que foi alterado. Mulheres, no ápice do seu auto conhecimento, encaram esse papel sorrindo, achando massa e deixa o homem como o rei, agora, por uma opção dela, por gostar assim. Que nada impede que, no dia seguinte, ela esteja te esperando na sala de lingerie preta, espartilho e chicotinho na mão ;)

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  4. Não acredito que a sacada feminina tenha acontecido muito antes. Tá todo mundo perdido atrás de uma "muleta" que sirva para todas as situações, uma chave mestra. Basta lembrar que no nosso prontuário não deve aparecer nenhuma avaliação negativa.

    Então, é preciso ter a receita infalível para ser bem sucedido nos relacionamentos, no trabalho, na criação dos filhos, na cama e etc.. Não é por acaso que tem tanta gente ficando rico só com palestras. Falta disposição para prestar atenção, estudar a(o) parceira(o) e abandonar a preguiça (ações que Isadora citou na postagem dela).

    Também discordo da racionalização ser responsável por distorcer completamente o ato. Somos movidos por algo além de carícias, cheiros e etc., o que pensamos a respeito do outro também causa impacto. Quem nunca foi surpreendido (positiva ou negativamente) por alguém levante a mão. Formamos previamente uma opinião que vai interferir na maneira como procedemos, não tem pra onde correr.

    Refletir sobre sexo pode ajudar a vivê-lo de uma forma mais natural e sem tanta expectativa ou idéias concebidas antecipadamente, vivenciar o momento de um jeito mais leve e depois vestir a roupa levinho, levinho, levinho.

    Escrevi um bocado e Klaus, em menos de um parágrafo, conseguiu mostrar o que quis dizer quando Junio perguntou se eu tava disposto a postar no blog, acho que qualquer regra de sedução ou comportamento empobrece a relação.

    Pensar nisso é fundamental para que o lesco-lesco seja muito bom e a mesma moça que na transa vespertina seja angelical possa surgir como uma dominatrix mais tarde.

    É só isso.

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  5. Não me lembro de ter dito para não refletirmos sobre sexo. Inclusive, que eu saiba, eu sou uma das militantes dessa bandeira. Mas, enfim... O que nunca vai mudar é que homens e mulheres não falam a mesma língua, não se entendem. E essa polêmica dos dois textos indica bastante isso, o que me faz perder a vontade de dar continuidade a essa discussão :)Procurem a parceira de vocês e entendam ela. ESSA é a regra de um bom relacionamento, um bom sexo. Espero que isso vocês entendam! Fim.

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  6. "Como foi dito, sexo é saúde. A racionalização feita por alguns em cima do tema já indica a distorção completa do ato. Pode até ser coincidência, mas apenas homens comentando aqui e todos levando a discussão para um lado extremamente reflexivo. É sexo, meu bem, amor, pele, feromônio, carinho, não há muito para se pensar. É preciso sentir!".

    Você escreveu isto, Isadora.

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  7. Ai, meus ovos...
    Vocês venceram. Não volto mais aqui! Besos

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