Educação ou Censura?


Estou escutando o programa de rádio "Roda Baiana" e ele está tratando sobre o projeto que pretende censurar as músicas que tratam as mulheres com violência, a deputada (ainda não peguei o nome dela, infelizmente) criou com a intenção de censurar esse tipo de agressão. 
Eu sou contra a qualquer tipo de agressão ao humano, não estou aqui pra defender o pagode, como ficou explícito no Twitter. Longe disso, eu penso que se é pra trabalhar então tem que ser feito de uma maneira justa e correta. Eu vejo muita gente defendendo o projeto pelo motivo de ser contra, de maneira "silenciosa", ao pagode baiano. E de certo modo todas as defesas são na verdade uma forma de atacar o pagode baiano que está exagerando (fodendo) a imagem da mulher de qualquer região do mundo, não só da Bahia, assim como o funk carioca.

Segundo a resposta da deputada, as músicas que tratam disso de uma forma poética não seriam prejudicadas. No caso, a MPB e outras músicas antigas sairiam ilesas dessa lei. Muito do que estou escrevendo aqui é por conta das respostas da autora do projeto. 

Forma poética? Tá de brincadeira! Vou te mostrar que a poesia pode parecer indigesta a depender do contexto.

"Joga pedra na Geni / Ela é feita pra apanhar / Ela é boa de cuspir / Ela dá pra qualquer um / maldita Geni" Chico Buarque.


"Todo homem que sabe o que quer / Pega o pau pra bater na mulher / Ô Silvia..." Marcelo Nova.


"Mulher de qualquer jeito / Você sabe que eu adoro um peito / Peito pra dar de mamar / E peito pra enfeitar" Ultraje a Rigor.


"Se você quer ser a minha namorada... Você tem que me fazer um juramento / De só ter um pensamento / Ser só minha até morrer... Você tem que vir comigo em meu caminho / talvez o meu caminho seja triste pra você ... Os seus olhos tem que ser só dos meus olhos..." Vinicius de Moraes.

Poxa, coitada dessa aí. Tem que ficar presa ao cara que parece ser possessivo, egoísta e vitoriano. Eu vejo agressividade aqui. Você não? Ha!

Quem julgaria ou fiscalizaria o conteúdo dessas músicas que são agressivas? Quem garante que o projeto não é contra o pagode, já que muitos dos que ligaram pra rádio pra parabenizar a deputada foram bastante radicais quando manifestaram a fúria contra o ritmo. E pior que isso: Vale a pena ter censura musical no país novamente? Eu nem vou citar aqui "Loira Burra" ou as músicas da Tati Quebra-Barraco porque tudo vai depender do contexto. Se o cara que canta funk ou pagode disser que ele tem esse tipo de relacionamento com a "mulé" dele e resolveu passar isso pra música, vai passar "de boa" por causa do contexto.

Não devemos proibir algumas músicas de serem executadas nas rádios, internet ou festas populares. O mais correto a ser feito seria desligar o rádio, não ir aos shows ou não contratar os artistas que promovem essa agressão. Estão enganados aqueles que pensam que esse tipo de música só existe em um ou dois lugares. Ja vimos isso em axé, forró e até na mpb. Acho que só não vi isso ainda em música sertaneja, geralmente é a mulher que sacaneia o cara.
A coisa ta feia, concordo que os cantores estão pegando pesado, o "problema" é que tem gente que gosta. Aí o problema já não é de quem gosta e sim de quem se sente incomodado. O politicamente correto não está sendo usado de forma justa, está sendo usado de uma maneira que vem pra defender interesses de uma parte da população, tudo tem que viver em comum acordo para que possa ser utilizado. Talvez a solução pra mudar essa realidade da mulher que é agredida, não só na música, é investir na educação. Aliás, talvez a deputada deveria pensar nisso e ir fazer algum projeto que melhorasse as nossas escolas ao invés de se preocupar com quem está "esfregando o orgão sexual no betume espesso".

E digo mais, as propagandas das cervejarias são tão agressivas quanto as músicas. Mas ninguém vai falar nada né?! 

Vou pedir que alguem se prontifique a escrever melhor sobre isso, ou vou ter que pedir na marra.

Comentários

  1. A música é poesia nos ouvidos de quem ouve e no sentimento de quem sente...

    Com o relator...

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  2. "esfregando o orgão sexual no betume espesso".

    HAHAHAHA Arrasou no eufemismo e na reflexão!

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  3. Fabiane Bonifácio29 de junho de 2011 16:11

    Não vejo isso como uma questão de educação pq temos como exemplo o Mc.Catra que é um homem que teve uma ótima educação e mesmo assim as letras de suas musicas não são tão poéticas.

    O que está acontecendo que não existe mais moral principalmente entre os jovens que são os que mais dão apoio a esse tipo de "música".

    Sou a favor da censura na mídia e em todos os meios de comunicação, mas quem quiser ouvir que coloque o som baixo em sua casa e curta o show da banda, e quem quiser ouvir no ônibus que coloque seu fone de ouvido e seja feliz.

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  4. Meu irmão, concordo com você! Sou totalmente contra qualquer tipo de censura. É claro que desejamos mais respeito às mulheres e à vida nas nossas músicas, mas, conseguir isso com censura é somente uma outra forma de violência e desrespeito. Você acompanha meu blog e sabe que proponho coisas parecidas. Somente uma educação de qualidade, crítica, reflexiva e rica de valores humanos e culturais poderá mudar esse quadro. O primeiro passo é seguir a sua sugestão: não consumir esse tipo de produto.
    Fiquei feliz de ver sua menção às propagandas de cerveja. Vale para exemplificar que a desvalorização e utilização da mulher como objeto é maior do que temos percebido.

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  5. Essa conversa merece Brahma (bem gelada) e uns bolinhos de bacalhau.

    Rapaz, o que mais me impressiona quando levantam o debate sobre conteúdo musical é que parece existir uma sociedade secreta apartada do mundo que tem como objetivo destruir a família, a juventude e a imagem da mulher.

    Porra!!! O cara que escreve sobre botar na geral, descer aquecendo a xota e etc. não tirou isso do nada, não é uma mente doentia que deseja corromper a sociedade. Tudo isso é fruto da vivência, algo que ouvimos diariamente e faz parte do cotidiano nacional.

    Temos mais liberdade e estamos numa fase hedonista (meti nessa, não foi? hahaha), todo mundo atrás de prazer, gozo, ereções prolongadas. Tudo isso sempre precisar usar subterfúgios, duplo sentido ou qualquer outra artimanha. É na lata, pai! Pode colocar (lá nela) o pau em cima da mesa.

    Os ouvidos virginais ainda não se deram conta disso.

    E, como não trouxeram a cerveja e os bolinhos, volto mais tarde pra continuar a conversa.

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  6. Oi, Ju
    Não curto pagode, mas também não curto a censura. Concordo que as "composições" passam dos limites, mas censurar não resolve (inclusive, o que se torna proibido fica ainda mais desejado).
    Fico um tanto quanto triste quando vejo meus jovens alunos cantarolando certos pagodes... mas outro dia fiquei muito feliz quando esses mesmos jovens, numa aula em que cheguei atrasada e esbaforida, me lembraram que eu não havia lido nenhum poema no início da aula, como de costume...
    ... se o projeto da deputada incentivasse a cultura, ao invés da censura...

    bjs

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