Devaneio sobre a amizade

Saindo agora do trabalho e enquanto descia a ladeira dos Umbuzeiros e me despedia de um colega, andei em um ritmo mais normal pra tentar apreciar a glória da manhã de domingo. Todos os dias faço o mesmo trajeto, até nos dias de folga, e nunca consigo raciocinar e caminhar de uma forma em que possa estar adimirando alguma coisa. Curiosamente nos dias de domingo é que consigo fazer isso e com calma. A falta de segurança tem me forçado a ser um pouco mais ligeiro, não da pra confiar em alguem nesses novos dias, a pressa pra chegar em casa e planejar tudo o que tem que ser feito durante o resto do dia e a busca por conforto no transporte coletivo põem meu corpo em um modo automático de dar inveja a qualquer industrial. As vezes eu saio na varanda da mansão e vejo o sol nascendo com seu brilho refletido nas janelas espelhadas daquele bairro nobre, tem que ser rápido! 
Então quando atravessei a passarela e peguei o 1034 pela Orla, comecei a ter belas lembranças de muitas pessoas que conviveram comigo enquanto o esplêndor do Sol  fazia o clima com o mar.

Quantas pessoas foram tão importantes em minha vida e logo depois que essas lembranças foram terminando (cerca de 30 minutos viagem), comecei a pensar se realmente fui ou sou importante na vida delas. Não sei dizer de todo mundo, mas tenho quase certeza que na vida de muitas pessoas eu fui um tapa-buracos para as carências e problemas corriqueiros da época. Pra mim é muito triste ter que enxergar dessas maneira e entender que um dos dons mais lindos que tenho foi um tipo de moeda de troca para que a amizade permacesse. O que mais me impacta é perceber que fui trocado por pessoas legais, ou em expressão mais direta "Amigos de Balada". 
A habilidade que tenho pra conviver em um relacionamento amoroso me falta com as amizades (muitas gargalhadas nesse momento, é inacreditável). 

Já prezei por amizades em que estiveram tão próximas de mim e ao mesmo tempo tão distantes, já fui procurado somente porque precisavam de mim. Tive amizades que nunca me ligavam quando estavam curtindo ou até mesmo pra bater um papo, como ja fiz muito durante algum tempo em que percebia a minha ausência ou que gostaria que aquilo fosse real. Conheci pessoas que nunca  me chamavam pra tomar um copo d'água em casa ou que até mesmo nem pisaram em minha casa durante dez anos, mas ja me procuraram altas horas da noite pra se aconselharem ou desabafarem sobre algum problema. Já cuidei de gente que tomava na cara, se via só e abandonada por quem realmente tinha algum tipo de sentimento e vezes depois passou uma bela rasteira em mim, daquelas de cair de bunda no chão com cara de cachorro perdido em mudança. O melhor de tudo é que nunca neguei um abraço a pessoa alguma que ja precisou de mim.

Porém, existem aquelas pessoas que fazem valer a pena cada minuto de sua vida. A vida tem dessas coisas e o escritor cristão estava realmente correto na frase "Aquele que encontra um amigo verdadeiro tem um tesouro guardado no Céu"... ou qualquer coisa desse tipo! Percebi que o Céu nõ se trata daquele terreno no Paraíso. O céu da minha vida, aos 26 anos, se chama consciência. Eu realmente fico feliz quando alguém me liga pra falar rapidinho como alguém do Ceará, ou me liga pra pagar um jantar em sua casa que infelizmente nunta tenho tempo de ir e ainda assim pago(arei) já que conheço a causa. Aquela pessoa que liga so pra dizer um olá ou pra avisar alguma novidade. E aquela pessoa que ta sempre do meu lado, mesmo que por alma e encurtando a distância através de orações, desejos, carinho e toda uma presença que vale a semana inteira se resumindo em 8 ou 12 horas de um fim de semana.  

Tem a galera do "Vamo marcar" que... sem comentários. 

No final de tudo, até que não me importa tanto os amigos que me deixaram, fazem falta sim. Mas já que não me querem perto, só posso desejar boa sorte.

Já aqueles que posso ter por "perto", de fato, é com quem tenho que me preocupar. 

Esse é o meu Céu.

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