Redenção e a insistência no erro

"Já levou 500 socos na cara em uma noite só? Depois de um tempo começa a doer". Rocky (1976)
Dizem que o primeiro passo para a mudança é estar disposto a mudar. Eu prefiro pensar que o primeiro passo é entender o que está acontecendo e assim reconhecer que precisa mudar. Não adianta querer mudar sem antes ter pelo que mudar ou até mesmo saber o que está acontecendo consigo. Esse tem sido um caminho tortuoso e já disse antes por aqui: O que deixamos pra trás sempre volta a nos aborrecer, caso não tenha sido resolvido. Não adianta esconder, se alguém consegue manter uma dor ou trauma controlado... bem, nem sei se devo parabenizar ou dizer o quanto isso é preocupante. O processo é diferente com cada pessoa e a terapia é única como cada sujeito. 

Eu preciso e quero mudar, porém sempre precisei de alguém pra me empurrar a querer conquistar aquilo. Não sei se é bom ou não, com certeza deve ser melhor conseguir lutar e andar com as próprias pernas e um dos meus grandes erros foi o de não tentar mais vezes fazer isso, ser independente e insistir mais. Já escutei algumas dezenas de vezes que não era perseverante já que não sabia insistir, entretanto essa insistência tem que vir acompanhada do objetivo e perseverança até aquela época era mais uma palavra com significado religioso do que entender que era necessário acreditar, ser mais paciente e aguentar a porrada. Meu passado diz que eu fiz muito disso e até hoje tenho essas características, mas me faltou e falta coragem. Falta aquele esforço final, aqueles últimos passos antes de contemplar o objetivo à frente, aquela passada pra atravessar a linha de chegada. Faltou coragem pra insistir em vencer e sobra pra insistir em sofrer, continuar nos mesmos erros, com as mesmas desculpas e permanecer sendo o coitadinho que não vence. Tenho uma facilidade enorme pra me denegrir e dificilmente consigo falar bem de mim mesmo, exceto poucas ocasiões. Lembro perfeitamente da primeira vez que desisti de algo que me causou certa frustração em não ter sido o tal do perseverante. 

Uma breve história: Quando criança, praticava Judô na Escola Tomaz de Aquino (não está escrito errado)  e tinham eventos que eram feitos pra ajudar na divulgação do esporte, da escola e essas coisas. Era década de 90 e houve uma certa predileção por esses esportes olímpicos, resolveram fazer a Corrida do Judoca que tinha como percurso sair do antigo clube de praia do Bahia até o SESC Piatã, numa manhã de sábado, correndo os 5 km trajando um quimono. Isso soa tão errado hoje em dia que poderia dar um processo violento, mas mesmo com o alerta dos colegas e meus pais resolvi participar já que queria me sentir incluso, ser parte daquilo e falar o quanto foi legal aquele dia na escola. Caralho, como eu andei e óbvio que não aguentei correr todo o trajeto... aliás, nem corri e fui andando mesmo. Meus pais foram acompanhando de longe, mesmo porque meu pai não teria condição de ir junto. Pulando toda a conversa chata, eu desisti e resolvi ir de carona numa condução que estava auxiliando os desistentes e quem passava mal. Que raiva! Faltava muito pouco pra que chegasse ao clube, desse o meu nome e ganhasse a medalha de participante. Como eu não sabia que dava pra ganhar a medalha, que era um dos motivos de participar, desisti já que na minha cabeça só recebia quem vencia. Depois eu consegui ver a decepção no rosto de meus pais, não sei se eles estavam zangados, se haviam brigado, não sei. Me lembro de pensar "Mas tava perto!".

Tantos outros momentos de minha vida se reconheciam com essa frase e por muitas vezes quando olho pro meu corpo, meu passado e penso nas coisas que poderia ter conquistado, me causa uma revolta seguida de uma conformação por causa do "Se eu tivesse feito mais um esforço ali..." que é horrível. É a conversa do perdedor e não tem como voltar atrás. 


Hoje eu acordo de madrugada pra escrever ou pensar. Ficar remoendo essas coisas é doloroso e depois de perder tanto me bate aquela dor que traz tantas imagens rápidas... caralho! Eu não posso culpar alguém e dizer que se acreditasse em mim talvez pudesse ser diferente. Quando eu estive disposto a mudar pra mostrar que ainda valia a pena, já tinha passado o tempo pra isso. Como eu ouvi hoje, na vida só podemos errar uma vez. 
Eu sigo e insisto porque quero vencer! Não sei se o conto de fadas vai acontecer comigo e como o Rocky, Chris Gardner ou tantos outros personagens de filmes que adoro, vou vencer por ter dado a volta por cima. Contudo, não me engano e sei que as histórias que tanto me emocionam pelo final de conquistas foi trilhado por um caminho difícil, duro, doloroso e com MUITO esforço. 

Há algum tempo já venho tentando encontrar um médico pra cuidar da minha obesidade mórbida e agora eu não tenho mais como evitar, mesmo não conseguindo das últimas vezes... vou ter que tentar! Tenho que conseguir, meu caro.
Também vou começar a minha terapia.

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