Sendo parte da piada e rindo com a platéia


Durante a apresentação de uma renomada palestrante e bem sucedida vendedora, surgiram várias pessoas com caderno e caneta na mão correndo para formar uma fila. As pessoas pareciam vislumbradas em tê-la naquele evento de uma multinacional e voltavam com ar de satisfação enquanto outros nem pareciam esboçar uma reação condizente com a euforia anterior. Após aquela algazarra digna de uma estrela, a palestrante faz um breve discurso e pergunta para a plateia:

- Quem achou ridículo esse momento em que as pessoas vieram pegar um autógrafo? Pode levantar a mão, por favor?
...
- Só um? Ninguém mais achou? Qual o seu nome? - Perguntou ela.
- Você teria a coragem de vir aqui na frente da mesma forma que levantou a mão?
- Sim. 

Andando em direção ao palco, tudo ao redor era rapidamente analisado, os olhares das pessoas se voltaram para o caminho central. Todas as cadeiras estavam organizadas como numa igreja. Naquele momento deixaria de julgar ou analisar tudo o que se passava à sua frente, naquele momento imaginava que estava sendo julgado e quase não fazia ideia do que viria.
Chegando ao local, a palestrante se apresentou novamente, explicou o motivo de ter feito aquela pergunta, pediu para que permanecesse ali e participasse da experiência. Ao final deveria ser dito qual foi a sensação.

- Gostaria que vocês recebessem o nosso convidado! - Disse, apontando para o centro.

De repente algo novo aconteceu, apesar de ser uma cena bastante familiar. Em segundos haviam dezenas de pessoas correndo com cadernos e canetas na mão para pegar o autógrafo - Só pode ser brincadeira! - Pensou e logo em seguida decidiu fazer parte do jogo. Pensou em Tony Stark e sua cena épica em que decide revelar ao mundo que é o Homem de Ferro, abriu os braços e curvou a cabeça dando um sorriso para a platéia. Muitos riram da atitude enquanto surgira outro pensamento desprezando aquele momento e tentou sair para sentar no lugar da onde estivera.

- Fica aí! 
- Não é pra você ir não! Vai ter que dar autógrafo para todos!
- Como é? Tenho que assinar mesmo?
- Sim!! - Respondeu o público e as pessoas que estavam segurando o caderno naquele comportamento semelhante entre tietes e ídolo.
- Então tá.

Após assinar todos os cadernos enquanto ouvia palavras de incentivo e agradecimento, algumas delas um tanto... peculiares pra quem não estava acostumado, lhe foi perguntado sobre qual a sensação daquele momento. Força? Poder? Se sentia mesmo poderoso depois daquilo? E em um tom de piada veio um bordão bastante conhecido: "Mais ou menos, mais ou menos!".
Vaidade e poder são palavras essenciais pra maioria dos jovens da minha geração, são palavras que podem ser escutadas em qualquer momento da história e justificam muitas guerras, brigas e momentos que mudaram o caminho da humanidade. Não me agradam. Até fujo delas, tenho uma noção do quanto isso mexe comigo e o quanto já perdi por muitas vezes não querer estar envolvido em situações que permitiam tê-las. Apesar daquela mulher ter explicado o motivo daquela dinâmica e me fez entender qual o sentido de tudo aquilo, o que mais me incomodou não foi a atitude isolada daquela situação e sim todo um contexto que já havia observado anteriormente e que por muitas vezes ja presenciei ou senti na pele o que algumas pessoas fazem para ocuparem aquele lugar.

Fiquei extremamente surpreso e me diverti bastante com tudo isso. Apesar de aparentar estar sisudo e sério na maior parte do tempo, acompanhado de uma postura tímida, foi interessante estar naquele lugar e perceber que a minha decisão de ser parte daquilo e me permitir ser motivo de diversão das outras pessoas. Entrei no jogo, entretive quem estava assistindo  e acho que não demostrei estar nervoso com tudo aquilo. Quem diria? Eu queria muito ter filmado tudo aquilo ou que algumas pessoas estivessem assistindo, seria história pra contar durante muitas conversas. Felizmente a minha cunhada estava lá e fiquei mais feliz ainda por ela não ter sentido vergonha de mim.

Isso também me fez pensar sobre a vida e os problemas. As vezes eu preciso me permitir fazer parte daquilo, ter a atitude de abrir os braços pra onda e dizer "Vem!" ou me curvar para o público pra rir com eles e não ser apenas o motivo do riso. Essa era uma atitude que já havia esquecido há algum tempo, a de rir dos problemas ou fazer graça quando eles ficam piores. Quando foi que deixei de fazer isso? Talvez eu saiba, talvez não tivesse com quem rir daquilo e nem dava pra rir sozinho. Foi tipo "Abraça e enfrenta". Apesar de ouvir sempre que a vida é uma grande piada, muita coisa pra mim é um drama difícil de ler. Mas ainda dá pra rir.

A vida... não se trata de esperar a tempestade passar. É sobre aprender a dançar na chuva! 


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